7 Causas de Lombalgia e Como Tratar a Dor Lombar

Lombalgia, dor na parte baixa das costas

“A minha dor não me define, mas me ajuda a entender a sua.”

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Neste artigo

Dr. Ney Leal

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📖 Leitura recomendada: este artigo faz parte do nosso guia completo sobre dor nas costas — causas, sintomas e tratamentos para todos os tipos de dor na coluna.
Lombalgia, a famosa dor na parte baixa das costas, é a causa número um de incapacidade no mundo[1]. Estima-se que até 80% das pessoas terão pelo menos um episódio ao longo da vida[2]. Se você está lendo isso com dor nas costas agora, saiba que não está sozinho e que existem caminhos eficazes para melhorar. Neste artigo, vou te explicar o que é lombalgia, por que ela acontece, quais os tipos, quando se preocupar e como funciona o tratamento baseado nas melhores evidências científicas.

O que é lombalgia?

Lombalgia é o termo médico para dor na região lombar , a parte inferior das costas, entre as costelas mais baixas e o início das nádegas e é frequentemente chamado pelos mais velhos de “Dor nas cadeiras”. Ela pode variar de uma dor leve e incômoda até uma dor intensa que impede qualquer movimento. A coluna lombar é formada por cinco vértebras (L1 a L5) que sustentam boa parte do peso do corpo. Pense nela como a base de uma torre: se a base fica sobrecarregada ou desalinhada, toda a estrutura sofre. Discos intervertebrais, músculos, ligamentos e nervos trabalham juntos nessa região , e quando qualquer um desses elementos se irrita, a dor aparece.

Tipos de lombalgia

Lombalgia aguda

Dura menos de 6 semanas. É a mais comum, geralmente causada por esforço, postura inadequada ou movimento brusco. A boa notícia: a maioria melhora espontaneamente em dias ou semanas, com cuidados simples.

Lombalgia subaguda

Dura entre 6 e 12 semanas. Se a dor chegou aqui, precisa de atenção e este é o momento de procurar ajuda para evitar que a dor se torne crônica.

Lombalgia crônica

Persiste por mais de 12 semanas. Nesse ponto, a dor não é mais apenas um sintoma, ela se tornou uma condição em si. O sistema nervoso pode estar sensibilizado, amplificando sinais que antes não eram sentidos como dor mas agora podem ser insuportáveis. É quando o tratamento multidisciplinar faz mais diferença.

Causas da lombalgia

Causas mecânicas (mais comuns, cerca de 90% dos casos)[3]: distensão muscular, entorse ligamentar, degeneração dos discos gelatinosos que servem de almofada entre um osso da coluna e o outro, artrose das articulações e por aí vai… Essas causas mecânicas não precisam de cirurgia na grande maioria dos casos. Hérnia de disco: quando a parte de dentro, mais mole, do disco intervertebral se desloca e comprime um nervo. Pode causar a dor popularmente conhecida por ciática e é uma dor que pode irradiar para a perna, às vezes parecendo que um raio desceu pela perna. Mesmo assim, a maioria melhora sem cirurgia. Lombalgia por hérnia de disco na coluna lombar Estenose do canal medular: É o estreitamento do canal por onde passam os nervos dentro da coluna, mais comum em pessoas acima de 60 anos e pode ser causado por artrose nas articulações ou quando uma vértebra escorrega um pouco mais pra frente do que a vértebra de baixo, causando o estreitamento do canal por onde passam a medula e os nervos. Espondilolistese: Este é o nome correto do deslizamento de uma vértebra sobre a outra que, como visto acima, é causa frequente de estenose do canal medular. Dor na articulação sacroilíaca: essa articulação fica na base da coluna, entre o sacro e o osso ilíaco. A dor pode ser confundida com lombalgia, mas o tratamento é diferente. Fatores de risco importantes: sedentarismo, obesidade, tabagismo, estresse emocional, posturas ruins por muito tempo, trabalhos com carga física intensa, além da própria anatomia do paciente. Explico: a nossa coluna tem 3 curvas principais que são normais: a lordose do pescoço, a cifose do na altura do coração e outra lordose na região lombar e isso é igual em praticamente todo ser humano! Existe uma quarta curvatura mas essa não vem ao caso aqui. MAS… (sempre tem um “mas…”) cada pessoa é única e alguns indivíduos têm as curvaturas mais retas e outros mais curvadas, e isso pode ser um fator importante na origem da dor. Além dessas curvaturas que são normais o paciente ainda pode ter alguns desvios da coluna que não deveriam acontecer! São as chamadas escolioses que são desvios laterais da coluna. Olha essas ilustrações aqui embaixo que vai ficar mais fácil de entender! Lombalgia e curvas da coluna vertebral: lordose cervical, cifose torácica e lordose lombar Lombalgia por escoliose, desvio lateral da coluna vertebral

Sinais de alerta: quando a lombalgia precisa de urgência

A maioria dos episódios de lombalgia é benigna. Mas existem sinais que exigem avaliação imediata: Se você tem algum desses sintomas, procure atendimento médico.

Diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico , feito pela conversa e pelo exame físico. Exames de imagem (ressonância, raio-X) são indicados quando há sinais de alerta, quando a dor não melhora após 4-6 semanas de tratamento, ou quando há suspeita de outra causa específica. Importante: exames de imagem da coluna lombar em pessoas sem sintomas frequentemente mostram alterações como protrusões discais e desgaste. Essas alterações são comuns com a idade e nem sempre são a causa da dor[4]. Tratar a imagem em vez do paciente é um dos erros mais comuns na abordagem da lombalgia.

Tratamento da lombalgia

Fase aguda

Mantenha-se ativo: repouso absoluto piora[5]. Caminhe, faça atividades leves. A dor pode limitar alguns movimentos, e tudo bem, mas ficar na cama ajuda a piorar o quadro. Medicamentos: anti-inflamatórios por curto período, analgésicos, relaxantes musculares quando há espasmo. Sempre com orientação médica. Calor local: bolsa de água quente ou compressa morna na região lombar pode ajudar a relaxar a musculatura.

Tratamento contínuo e prevenção

Exercício físico: é a ferramenta que melhor funciona no tratamento e na prevenção da lombalgia[6]. Veja o nosso guia completo sobre exercício físico e dor crônica. Fortalecimento do core (musculatura abdominal e lombar), pilates, natação e caminhada são excelentes opções! MAS, comece devagar! Se você resolver fazer em uma semana tudo que não fez no resto da vida, existe uma grande chance de que você venha a se machucar! Fazer com frequência (de 3 a 5x na semana) é mais importante do que a intensidade e o tipo de exercício. Fisioterapia: exercícios direcionados, terapia manual e orientação postural. Fundamental para casos que não melhoram nas primeiras semanas. Cuidados com o peso, postura e sono: manter peso saudável, ajustar a ergonomia do trabalho e dormir bem são pilares do tratamento. Se você acorda com dor lombar pela manhã, confira nossas orientações sobre dor nas costas ao acordar.

Quando o tratamento conservador não basta

Se a lombalgia persiste por mais de 12 semanas, procedimentos com nomes esquisitos como bloqueios facetários, bloqueios epidurais e radiofrequência podem ser indicados. A cirurgia é reservada para casos muito específicos: hérnia de disco com prejuízo neurológico, estenose grave, instabilidade vertebral, dentre outros.

Lombalgia e trabalho

A lombalgia é a principal causa de afastamento do trabalho no Brasil e no mundo! Só aqui no Brasil foram mais de 237 mil afastamentos em 2025. Se a sua dor lombar está afetando sua capacidade de trabalhar, não ignore. Quanto mais cedo o tratamento começa, maior a chance de resolução completa.

Quando procurar um especialista em dor

Se a sua lombalgia dura mais de 4 semanas sem melhora, se está piorando, se irradia para a perna, ou se está limitando sua vida, é hora de procurar um médico especialista em dor. O diagnóstico correto e o plano de tratamento adequado podem mudar completamente o seu quadro. Conhece alguém que sofre com dor lombar? Compartilhe este artigo. Informação de qualidade pode ser o primeiro passo para essa pessoa buscar ajuda.

Referências científicas

  1. GBD 2021 Low Back Pain Collaborators. Global, regional, and national burden of low back pain, 1990-2020, its attributable risk factors, and projections to 2050: a systematic analysis of the Global Burden of Disease Study 2021. Lancet Rheumatol. 2023;5(6):e316-e329. PubMed
  2. Walker BF. The prevalence of low back pain: a systematic review of the literature from 1966 to 1998. J Spinal Disord. 2000;13(3):205-217. PubMed
  3. Deyo RA, Weinstein JN. Low back pain. N Engl J Med. 2001;344(5):363-370. PubMed
  4. Brinjikji W, Luetmer PH, Comstock B, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36(4):811-816. PubMed
  5. Dahm KT, Brurberg KG, Jamtvedt G, Hagen KB. Advice to rest in bed versus advice to stay active for acute low-back pain and sciatica. Cochrane Database Syst Rev. 2010;(6):CD007612. PubMed
  6. Hayden JA, Ellis J, Ogilvie R, et al. Exercise therapy for chronic low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2021;9(9):CD009790. PubMed

Perguntas frequentes sobre lombalgia

A maioria dos episódios de lombalgia aguda melhora sozinha em dias ou semanas. Quando a dor se torna crônica, o foco passa a ser controlar a dor e recuperar a sua qualidade de vida. Com o tratamento certo, muitos pacientes voltam a ter uma vida normal. E quanto mais cedo você começa, melhor.
Procure atendimento médico se a dor durar mais de 4 semanas sem melhora, se estiver piorando, se irradiar para a perna, ou se houver sinais de alerta como perda de força nas pernas, alteração no controle da bexiga ou intestino, febre ou perda de peso inexplicada. Nesses casos, a avaliação deve ser imediata.
Na maioria dos casos, o diagnóstico é clínico, feito pela conversa e pelo exame físico. Exames de imagem como ressonância ou raio-X entram quando há sinais de alerta, quando a dor não melhora após 4 a 6 semanas, ou quando existe suspeita de algo mais específico. Um detalhe importante: alterações em exames de imagem são comuns com a idade e nem sempre explicam a dor.
Pelo contrário! Exercício físico é a melhor ferramenta para tratar e prevenir a lombalgia. Fortalecimento do core, pilates, natação e caminhada são ótimas opções. O segredo é começar devagar e manter a regularidade. Fazer exercício de 3 a 5 vezes por semana é mais importante do que a intensidade. Já o repouso absoluto tende a piorar o quadro.
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Artigo escrito pelo Dr. Ney Leal, CRM RS 27065 | RQE Anestesiologia 17031 | RQE Dor 41074. Médico anestesista especialista em Tratamento da Dor, SINDOR, Porto Alegre, RS. As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

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