A radiofrequência para dor é um dos procedimentos mais usados hoje na medicina da dor moderna, por ser minimamente invasiva, segura e capaz de trazer alívio duradouro para quem sofre com dor crônica. Neste guia completo sobre radiofrequência para dor, você vai entender como ela funciona, para quem serve, quais os resultados esperados e em quais situações ela pode ser a peça que estava faltando no seu tratamento.

“A minha dor não me define, mas me ajuda a entender a sua.”

Dr. Ney Leal

Radiofrequência para dor é uma das opções mais procuradas quando outros tratamentos falham. Neste guia, você vai entender quando a radiofrequência para dor é indicada, como funciona e quais resultados esperar.

Radiofrequência para dor: é um procedimento minimamente invasivo que pode mudar a vida de pacientes selecionados, e a radiofrequência para dor crônica vem ganhando espaço como opção segura. Se você já tentou medicamentos, fisioterapia e bloqueios sem resultado suficiente, pode ter ouvido falar em radiofrequência. É um procedimento minimamente invasivo que usa energia para modular ou interromper a transmissão de dor nos nervos. Mas não é para todo mundo, e entender quando é indicada faz toda a diferença. Você pode entender melhor lendo o nosso guia sobre dor crônica.

O que é radiofrequência para dor

A radiofrequência é uma técnica que utiliza uma agulha especial conectada a um gerador de ondas eletromagnéticas. A ponta da agulha é posicionada próxima ao nervo responsável pela dor, e a energia gera calor controlado (radiofrequência convencional) ou campos eletromagnéticos (radiofrequência pulsada) que modificam o funcionamento do nervo. Veja também o nosso guia sobre lombalgia.

Pense assim: o nervo é como um fio de telefone que transmite sinais de dor. A radiofrequência convencional “corta” parcialmente esse fio, interrompendo a transmissão. A radiofrequência pulsada “recalibra” o fio, modulando os sinais sem destruí-lo.

Tipos de radiofrequência

Radiofrequência convencional (ablativa): utiliza calor contínuo (80 a 90°C) para criar uma lesão controlada no nervo. Interrompe a transmissão de dor de forma mais efetiva, com resultados que duram 6 a 18 meses. É usada principalmente em nervos puramente sensitivos.

Radiofrequência pulsada: utiliza pulsos intermitentes de energia, sem destruir o nervo. A temperatura não ultrapassa 42°C. O efeito é mais sutil, modula a transmissão de dor sem causar lesão permanente. Pode ser usada em nervos mistos (sensitivos e motores) com segurança[1].

Indicações mais comuns da radiofrequência para dor

Dor das articulações da coluna (artrose da coluna): a indicação clássica. Quando os bloqueios das articulações da coluna diagnósticos confirmam que a dor vem das articulações das articulações da coluna, a radiofrequência convencional dos ramos mediais pode trazer alívio por 6 a 18 meses. As diretrizes internacionais de consenso sobre dor das articulações da coluna lombar recomendam a radiofrequência como tratamento de escolha em pacientes bem selecionados após bloqueios diagnósticos positivos[2].

Neuralgia do trigêmeo: a termocoagulação por radiofrequência é uma das opções de tratamento quando medicamentos não são suficientes, recomendada pela diretriz da Academia Europeia de Neurologia[3].

Dor ciática crônica: radiofrequência pulsada no gânglio da raiz dorsal pode ser uma opção quando bloqueios epidurais trazem alívio temporário, com evidências de eficácia em revisões sistemáticas[1].

Dor articular crônica: radiofrequência dos nervos geniculares para dor crônica do joelho por osteoartrite mostrou resultados positivos em ensaios randomizados, com alívio sustentado em 6 a 12 meses[4].

Articulação sacroilíaca: a radiofrequência dos ramos laterais sacrais é uma opção bem estudada para dor sacroilíaca refratária[5].

Neuralgia pós-herpética e outras dores neuropáticas: radiofrequência pulsada pode ser uma opção adjuvante.

Como é o procedimento

É feito em centro cirúrgico com sedação leve e anestesia local. Guiado por raios-x ao vivo (raio-X em tempo real), o médico posiciona a agulha de radiofrequência próxima ao nervo-alvo.

Antes de aplicar a energia, são feitos testes de estimulação sensitiva e motora para confirmar que a agulha está no local correto e que não há risco para nervos motores. A aplicação dura 60 a 90 segundos por ponto. O procedimento total leva 30 a 60 minutos. O paciente vai embora no mesmo dia.

Resultados e limitações

Quando funciona, funciona bem. Para dor das articulações da coluna, estudos mostram alívio significativo em uma proporção importante dos pacientes, com duração média de 9 a 14 meses[2].

O nervo pode se regenerar. Na radiofrequência convencional, o nervo se regenera ao longo de meses, e a dor pode retornar. O procedimento pode ser repetido.

Não é indicada para todas as dores. Dor muscular, fibromialgia e dor central não respondem bem à radiofrequência.

O diagnóstico preciso é essencial. O resultado depende de ter identificado corretamente a estrutura que gera a dor. Por isso, bloqueios diagnósticos são feitos antes para confirmar.

Referências científicas

  1. Vanneste T, Van Lantschoot A, Van Boxem K, Van Zundert J. Pulsed radiofrequency in chronic pain. Curr Opin Anaesthesiol. 2017;30(5):577-582. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28700369/
  2. Cohen SP, Bhaskar A, Bhatia A, et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain from a multispecialty, international working group. Reg Anesth Pain Med. 2020;45(6):424-467. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32245841/
  3. Bendtsen L, Zakrzewska JM, Abbott J, et al. European Academy of Neurology guideline on trigeminal neuralgia. Eur J Neurol. 2019;26(6):831-849. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30860637/
  4. Davis T, Loudermilk E, DePalma M, et al. Prospective, multicenter, randomized, crossover clinical trial comparing the safety and effectiveness of cooled radiofrequency ablation with corticosteroid injection in the management of knee pain from osteoarthritis. Reg Anesth Pain Med. 2018;43(1):84-91. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29095245/
  5. Cohen SP, Hurley RW, Buckenmaier CC 3rd, Kurihara C, Morlando B, Dragovich A. Randomized placebo-controlled study evaluating lateral branch radiofrequency denervation for sacroiliac joint pain. Anesthesiology. 2008;109(2):279-88. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18648237/

Quer saber se a radiofrequência é indicada para o seu caso? Compartilhe este artigo e converse com seu médico especialista em dor sobre as opções disponíveis.

Perguntas frequentes sobre radiofrequência

O que é o procedimento de radiofrequência para dor?

É uma técnica em que o médico posiciona uma agulha especial perto do nervo que está causando dor, usando raio-X em tempo real para ter precisão. Essa agulha gera energia que modifica o funcionamento do nervo. Imagine que o nervo é um fio de telefone que transmite sinais de dor. A radiofrequência pode “cortar” parcialmente esse fio ou “recalibrá-lo”, dependendo do tipo usado.

Qual a diferença entre radiofrequência convencional e pulsada?

A convencional usa calor contínuo (cerca de 80-90 graus) para criar uma lesão controlada no nervo, interrompendo a dor de forma mais efetiva por 6 a 18 meses. A pulsada é mais delicada, usa pulsos intermitentes sem ultrapassar 42 graus, modulando o nervo sem destruí-lo. A pulsada é mais segura para nervos que também controlam movimentos.

Para quais tipos de dor a radiofrequência funciona melhor?

A indicação clássica é a dor das articulações da coluna, que é a artrose da coluna. Quando bloqueios diagnósticos confirmam que a dor vem dessas articulações, a radiofrequência traz alívio em 60-80% dos pacientes. Também funciona bem para neuralgia do trigêmeo, dor na articulação sacroilíaca, quadril e joelho. Para fibromialgia ou dor muscular, por outro lado, não costuma funcionar.

A dor pode voltar depois da radiofrequência?

Sim, pode. Na radiofrequência convencional, o nervo se regenera ao longo de meses, e a dor pode retornar. O tempo médio de alívio é de 9 a 14 meses. A boa notícia é que o procedimento pode ser repetido, e muitos pacientes mantêm bons resultados com sessões periódicas.

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Radiofrequência para dor crônica: como funciona
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Artigo escrito pelo Dr. Ney Leal, CRM RS 27065 | RQE Anestesiologia 17031 | RQE Dor 41074. Médico anestesista especialista em Tratamento da Dor, SINDOR – Porto Alegre, RS. As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

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