Bloqueio de Dor: 6 Tipos, Como Funciona e Quando Indicar

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“A minha dor não me define, mas me ajuda a entender a sua.”

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Dr. Ney Leal

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Bloqueio de dor é um dos procedimentos mais procurados no consultório. Neste guia honesto, vou te explicar quando o bloqueio de dor funciona e quando não funciona, sem promessas vazias.

O bloqueio de dor é uma das ferramentas mais poderosas no tratamento da dor crônica, mas não é mágica. Uma das perguntas que mais ouço no consultório é: “Doutor, não dá pra dar um bloqueio e resolver?”. A resposta sincera é: depende. Os bloqueios de dor são ferramentas poderosas, mas não são mágica. Funcionam muito bem para algumas condições e pouco para outras. Neste artigo, vou te explicar com honestidade como funcionam, quando são indicados e por que nem sempre resolvem. Você pode entender melhor lendo o nosso guia sobre dor crônica.

O que é um bloqueio de dor

Um bloqueio é um procedimento em que o médico injeta medicamentos (geralmente anestésico local e/ou corticoide) próximo a nervos, articulações ou estruturas específicas da coluna, com o objetivo de interromper ou reduzir a transmissão da dor. Veja também o nosso guia sobre dor neuropática.

Pense nos nervos como estradas por onde os sinais de dor trafegam. O bloqueio coloca uma “barreira” nessa estrada, os sinais de dor não conseguem passar (ou passam com muito menos intensidade). Os bloqueios são feitos com orientação por imagem, ultrassom ou fluoroscopia (raio-X em tempo real), para garantir que o medicamento chegue exatamente no lugar certo.

Tipos de bloqueio de dor

Bloqueio epidural: medicamento injetado no espaço epidural, ao redor dos nervos da coluna. Muito usado para hérnia de disco e estenose lombar com dor ciática. Uma revisão sistemática comparando as três vias de acesso (interlaminar, transforaminal e caudal) mostrou que todas podem ser eficazes na dor radicular lombar, com a via transforaminal frequentemente apresentando o melhor perfil de alívio em curto prazo[1].

Bloqueio foraminal (transforaminal): mais específico, o medicamento é injetado exatamente onde a raiz nervosa sai da coluna. Indicado quando se sabe qual nervo está comprometido. Estudos comparando corticoides particulados e não particulados mostram eficácia semelhante, com perfil de segurança mais favorável para os não particulados[2].

Bloqueio facetário: nas articulações facetárias da coluna, causa comum de dor lombar e cervical, especialmente em pessoas com artrose. As diretrizes internacionais de consenso recomendam o bloqueio diagnóstico do ramo medial como etapa essencial antes da indicação de tratamentos definitivos como a radiofrequência[3].

Bloqueio de nervo periférico: para nervos específicos fora da coluna, nervo occipital (dor de cabeça), nervo supraescapular (dor no ombro), entre outros.

Infiltração articular: injeção dentro de articulações como ombro, quadril, joelho, sacroilíaca.

Bloqueio simpático: para dores mediadas pelo sistema nervoso simpático, como a síndrome de dor complexa regional.

Quando funciona bem

Os bloqueios tendem a funcionar melhor quando a dor tem uma causa bem definida e localizada, quando há um componente inflamatório importante (o corticoide reduz a inflamação e pode trazer alívio duradouro), quando o bloqueio é usado como ponte para a reabilitação, e quando o diagnóstico está correto. Uma revisão sistemática clássica mostrou que injeções epidurais de corticoide oferecem alívio modesto, mas estatisticamente significativo, em pacientes com radiculopatia lombar bem selecionados[4].

Por que nem sempre funciona

Agora a parte que muitos médicos não falam abertamente:

1. O diagnóstico pode estar errado. Se o bloqueio é feito numa estrutura que não é a verdadeira causa da dor, ele não vai funcionar. É como colocar a barreira na estrada errada, o sinal de dor continua passando por outra via.

2. A dor pode ser central, não periférica. Quando a dor crônica já sensibilizou o sistema nervoso central, bloquear o nervo na periferia pode não ser suficiente. A sensibilização central é um mecanismo bem reconhecido pelo qual o sistema nervoso amplifica os sinais de dor, mantendo a dor mesmo na ausência de lesão tecidual contínua[5].

3. Fatores emocionais amplificam a dor. Ansiedade, depressão, catastrofização e estresse alimentam o ciclo de dor crônica. Se esses fatores não são tratados em conjunto, o bloqueio pode ter efeito reduzido ou temporário.

4. Expectativa irrealista. O bloqueio raramente “cura” a dor crônica sozinho. Ele é uma ferramenta dentro de um plano maior que inclui medicamentos, fisioterapia, exercício e mudanças de hábitos.

5. Nem toda dor é igual. Dor neuropática, dor nociplástica (como fibromialgia) e dor psicogênica respondem pouco a bloqueios. Identificar o tipo de dor é fundamental.

Como é o procedimento

A maioria dos bloqueios é feita em centro cirúrgico ou sala de procedimentos com sedação leve, o paciente fica relaxado mas acordado. A duração é de 15 a 30 minutos e a recuperação é rápida, a maioria vai embora no mesmo dia.

Os riscos são baixos: dor no local da punção, reação alérgica (rara), infecção (rara), sangramento (raro). Efeitos do corticoide podem incluir elevação temporária da glicemia em diabéticos.

O que esperar depois

O anestésico local faz efeito imediato (minutos) e dura algumas horas. O corticoide leva 3 a 7 dias para atingir efeito máximo. O alívio pode durar semanas, meses ou ser permanente, depende da condição tratada. Se o bloqueio funcionar bem, pode ser repetido (geralmente limita-se a 3 ou 4 por ano na mesma região). Se não funcionar, o médico vai reavaliar o diagnóstico e considerar outras opções.

O bloqueio é uma peça importante do quebra-cabeça, mas não é o quebra-cabeça inteiro. O melhor resultado acontece quando ele é combinado com fisioterapia, exercício, manejo do estresse e, quando necessário, medicamentos e acompanhamento psicológico. Se alguém te prometeu que “um bloqueio resolve tudo”, desconfie. Se alguém te disse que “bloqueio não funciona pra nada”, também desconfie. A verdade está no meio, e no diagnóstico correto.

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O que esperar no dia do bloqueio de dor

Muita gente chega ao consultório com medo do bloqueio de dor da palavra bloqueio, imaginando algo muito invasivo. Na prática, a maior parte dos bloqueios de dor de dor é feita em ambiente de bloqueio de dor, dura de 15 a 40 minutos e usa agulhas finas guiadas por ultrassom ou raio-x. Não é cirurgia, no bloqueio de dor não precisa internar, e na maioria das vezes o paciente vai embora andando no mesmo dia.

No dia do bloqueio de dor, você recebe orientações para tomar seus remédios habituais com um gole de água, evitar jejum prolongado e trazer alguém para te acompanhar na volta. A pele é higienizada, o médico localiza o alvo com a imagem, aplica um anestésico local e, em seguida, injeta o medicamento no ponto certo. A sensação mais comum é de pressão, não de dor. Após o bloqueio, você fica em observação por 15 a 30 minutos e recebe alta com orientações por escrito.

Caso hipotético: o bloqueio da paciente

R.C., feminina, 70 anos, tinha dor lombar irradiando para a perna esquerda há um ano. Já havia tentado anti-inflamatórios, fisioterapia e sessões de acupuntura. Uma ressonância mostrava hérnia de disco comprimindo a raiz nervosa. A dor atrapalhava o sono, e ela não conseguia caminhar mais do que 100 metros sem precisar parar.

Indicamos um bloqueio peridural transforaminal guiado por raio-x. O bloqueio de dor durou 20 minutos. Nas primeiras horas, a paciente sentiu uma leve dormência na perna, que sumiu. No dia seguinte, a dor havia caído de 9 para 3 na escala, e em uma semana ela já caminhava 40 minutos no parque. O bloqueio foi associado a fisioterapia, e seis meses depois ela seguia bem, sem precisar de cirurgia.

Os tipos mais usados no consultório

Os nomes dos tipos de bloqueio de dor podem parecer complicados, mas a lógica é simples: cada bloqueio mira em um grupo específico de nervos responsáveis por uma dor. Os bloqueios de dor mais comuns na prática diária do especialista em dor são:

Quando o bloqueio de dor é uma boa opção

O bloqueio de dor costuma ser considerado quando os tratamentos mais simples, como medicação e fisioterapia, não deram conta, ou quando precisamos de um alívio mais rápido para que o paciente consiga iniciar a reabilitação. O bloqueio de dor também serve como ferramenta diagnóstica: se a dor melhora significativamente após um bloqueio bem feito, confirmamos qual estrutura é a responsável. Isso ajuda a planejar tratamentos mais definitivos, como a radiofrequência.

Segurança e riscos

Bloqueios de dor feitos por médicos treinados e com guia de imagem são procedimentos seguros. Os riscos existem, como em qualquer intervenção, e incluem dor no local da aplicação, hematoma pequeno, reação ao medicamento e, em casos raros, infecção. Complicações graves em bloqueios de dor são incomuns quando o procedimento é feito em ambiente adequado. Por isso, insista em saber onde será feito, quem irá realizar e qual imagem será usada. Bloqueio sem imagem, feito às cegas, hoje está superado na maior parte das indicações.

Erros comuns na indicação de bloqueios de dor de bloqueios

Referências científicas

  1. Manchikanti L, Knezevic NN, Navani A, et al. Epidural interventions in the management of chronic spinal pain: American Society of Interventional Pain Physicians (ASIPP) comprehensive evidence-based guidelines. Pain Physician. 2021;24(S1):S27-S208. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33492918/
  2. Kim SJ, Park JM, Kim YW, et al. Comparison of Particulate Steroid Injection vs Nonparticulate Steroid Injection for Lumbar Radicular Pain: A Systematic Review and Meta-analysis. Arch Phys Med Rehabil. 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38242297/
  3. Cohen SP, Bhaskar A, Bhatia A, et al. Consensus practice guidelines on interventions for lumbar facet joint pain from a multispecialty, international working group. Reg Anesth Pain Med. 2020;45(6):424-467. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32245841/
  4. Bicket MC, Gupta A, Brown CH, Cohen SP. Epidural injections for spinal pain: a systematic review and meta-analysis evaluating the “control” injections in randomized controlled trials. Anesthesiology. 2013;119(4):907-31. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24195874/
  5. Woolf CJ. Central sensitization: implications for the diagnosis and treatment of pain. Pain. 2011;152(3 Suppl):S2-S15. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20961685/

Já fez bloqueio e não funcionou? Compartilhe este artigo. Talvez a resposta não seja fazer outro bloqueio, mas entender melhor de onde vem a dor.

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Artigo escrito pelo Dr. Ney Leal , CRM RS 27065 | RQE Anestesiologia 17031 | RQE Dor 41074. Médico anestesista especialista em Tratamento da Dor, SINDOR – Porto Alegre, RS. As informações têm caráter educativo e não substituem a consulta médica.

Perguntas frequentes sobre bloqueios de dor

O bloqueio é uma injeção de medicamentos (geralmente anestésico e anti-inflamatório) próximo a nervos ou articulações específicas, guiada por imagem para ser bem precisa. Pense nos nervos como estradas por onde os sinais de dor trafegam. O bloqueio coloca uma “barreira” nessa estrada, impedindo que o sinal de dor passe ou reduzindo muito sua intensidade.
O motivo mais comum é que a dor pode não estar vindo da estrutura que foi bloqueada, como colocar a barreira na estrada errada. Além disso, quando a dor crônica já “sensibilizou” o cérebro, bloquear o nervo lá na ponta pode não ser suficiente, porque o problema está no volume da dor no cérebro, não só no nervo. Fatores emocionais como ansiedade e depressão também reduzem a eficácia.
Na maioria das vezes, não. O bloqueio é uma ferramenta muito útil, mas funciona melhor como parte de um plano maior. Ele alivia a dor o suficiente para que você consiga fazer fisioterapia e exercício, que são fundamentais para a recuperação. Pense nele como uma peça do quebra-cabeça, não como o quebra-cabeça inteiro.
O procedimento é feito com sedação leve, dura de 15 a 30 minutos e você vai para casa no mesmo dia. O médico usa ultrassom ou raio-X em tempo real para guiar a agulha até o local certo. Os riscos são baixos: pode haver um desconforto no local da punção, e em diabéticos o corticoide pode elevar temporariamente a glicemia. Complicações sérias são muito raras.
Não exatamente. A anestesia é usada em cirurgias para que o paciente não sinta dor durante o procedimento. O bloqueio de dor usa técnicas parecidas, mas com objetivo terapêutico: reduzir inflamação ao redor do nervo, interromper ciclos dolorosos e permitir reabilitação. O mesmo médico anestesiologista treinado em dor faz os dois.
Não vicia e não mascara. O bloqueio de dor reduz a inflamação no alvo certo e cria uma janela para que o corpo se recupere com fisioterapia e exercício. Quando bem indicado, ele trata a causa, não só o sintoma.
Depende do tipo. Após bloqueios menores, muitas vezes é possível retomar atividades leves no mesmo dia. Em bloqueios maiores, com sedação leve, recomendamos que alguém leve você para casa. Siga sempre as orientações do seu médico, que conhece o seu caso.

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